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Ensino Superior no Brasil

Este artigo é sobre a situação dos jovens universitários brasileiros no ensino superior, público e privado na fronteira do novo século. Para tanto, alguns dados e demonstrativos obtidos na Organizaçãodas Nações Unidas foram utilizados para verificar como os jovens daregião do Mercosul têm sido considerados e apresentados nos quadros de formação superior de educação, e em suas projeções e cenários para as próximas décadas. A situação dos jovens brasileiros para o próximo governo mira-se na sua importância, principais avanços e em algumas metas e ações.


É notável observar que em boa medida, a juventude em escala mundial,mesmo nas especificidades de seus países, se mostra notadamentecontrária e, por vezes, indiferente à academia como instrumento de leitura da realidade. Cada vez mais, a juventude interconectada pelas redes de relacionamento sociovirtual despeja continuamente os relatórios de suas vidas em narrativas progressivamente curtas e velozes, na instantaneidadede 140 caracteres: conflitos, confrontos e suas resistências que consistemem mostrar à realidade, sua notória relação de divergência, incongruência e até apatia. Temos cálculos bastante razoáveis em relatórios qualitativos e quantitativamente expostos, em temas, assuntos e temas que atraem os jovens em suas defesas de dissertação e tese; optam, maiormente em demonstrar o seu grau, por vezes ampliado, de descontentamento com a vida real, preferindo: distanciar-se dela e, sobretudo recrudescer análises comparativas e combinatórias aversivas à práxis consideravelmente nas Universidades de público jovem de classes A e B.
Pode haver um problema residindo, justamente, em uma tábula rasa que faz a juventude indistintamente ser unívoca e homogênea. O ser, ter, viver no consumo de padrões, artigos, produtos e conhecimentos desconexos e por vezes não instrumentais à sua vida e no cotidiano que vive, ainda não implicam, necessariamente, em um problema social ou de classes como trataria o materialismo histórico. A juventude do novo milênio tem, em dados positivos, uma realidade transformada e processada de um século XX, de uma geração anterior, sumamente marcada por duasgrandes guerras, e outros conflitos, que marcaram toda essa geração:em tradutores de uma realidade, preocupada com a dialética, e assim,menos endurecida em planos, aí já decodificados, nas suas intenções porposse e controle de poder. Dessa forma, os ambientes de conhecimento, como as Universidades, tiveram de fomentar/contar com a formação deprofissionais que lessem o século XIX, para interpretar e auxiliar os seuscontemporâneos a encontrarem saídas àquela permanente escalada, busca e manutenção por controle e poder que se assistiu na Guerra Fria. Entretanto, vemos alguns reveses. E, o século XXI tenta ler o século anterior, ainda sem muitos avanços. Certamente, podendo-se caracterizar analogamente, ao “Mal-Estar da Civilização” em sua Psi-Lógica, Lógica da Loucura, como tratou S. Freud no início do século XX, e que parece estar atualizadamente com os jovens do século XXI.
A virada para o terceiro milênio mostrou que o desenvolvimentoeconômico internacional, baseado na austeridade fiscal, aumento de juros
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de médio e longo prazo, controle de inflação via liberalização de juros decurto prazo para os mercados produtores e indutores de crédito, dentre alguns instrumentos típicos de planejamento econômico: tomaram cenário, projeção e a tônica das relações internacionais, políticas, econômicas efinanceiras, possibilitando o incremento de diversos empreendimentosempresariais, inclusive na área da educação; que por sua vez possibilitou esse encontro entre jovens das mais diversas classes sociais em um ambiente comum: o ensino. No Brasil, – no governo Fernando Henrique Cardoso – temos alguns indicadores mais expressivos dessa liberalização do Estado de compromissos em maiores orçamentos, gestão e criação de políticas públicas para a Educação. Pois, tal desenvolvimento inseriu jovens no ensino superior privado, geralmente advindos de classes sociais e que passaram a se interligar aos jovens classes A e B das principais Universidades, na posição de alunos. Surgiu uma “espiral educacional” conectando todas as classes por meio do ensino que é praticado nas Universidades, Centros Universitários e demais Faculdades particulares.
No Brasil, a sua juventude da base social, pode endossar tal tese,em suas especificidades nos grandes centros urbanos, notoriamenteproblemática em frentes: a relação trabalho-emprego em que estes jovens permanecem nos bolsões recônditos das cidades em que nas classes E, D, C se processam e se misturam a difíceis Índices de Desenvolvimento Humano, dentro da ordem dos septuagésimos do ranking mundial, e, que por sua vez demonstra uma produção de relação-trabalho em que tal juventude é chamada a operar conhecimentos que se acoplem tantosa supressão de tais dificuldades, como também se ligam às ofertasde produção de mercado, e que vêm se demonstrando atuantes, nas corporações e mercados de telefonia – telemarketing – que absorvemessa mão de obra. Com a oferta de treinamento profissional de rápida formação, que visa cobrir o déficit educacional, esse mercado de trabalho,inerentemente, se liga a privatização da educação superior que passa a tomar-se em suporte, anexo, e apêndice desse ambiente de trabalho. Entretanto, permanecer distante do centro decisório de criação, produção e confecção de padrões de consumo, típicos dos jovens de classes A e B: pode marcar indelevelmente uma juventude de classes mais baixas, quando o provimento de educação e de trabalho se torna incompatível às tais estruturas, que se aperfeiçoa e se desenvolve nos ambientes de suprema tecnologia. O mote da questão é: a juventude de base social, além consumir os relacionamentos sociais, trabalho e de educação virtual, foi
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chamada a contribuir para o desenvolvimento de suas necessidades na vida política real.
A construção por esses jovens de estruturas que permitam acesso a melhores condições e qualidade de ensino se tornou factível dentre a multiplicidade das determinações econômico-sociais. Assevera-se que o capital humano obtido com o desenvolvimento econômico possa ser preservado qualitativamente e permanentemente na formação desses jovens e da geração do novo milênio que vem aí.
Novamente, a questão é: ainda pode haver permanentemente mobilização por melhores condições de desenvolvimento humano nesta nova geração do século XXI no Brasil? Ainda é possível falar em formação consciente de representação nacional, em uma juventude ingressada emrealidade econômico-financeiro nova? Ainda é possível falar em educaçãosocio–ialética? A história pode se repetir, ou da segunda vez, tende de ser realmente como farsa? - como postulou Karl Marx.
A juventude brasileira, no governo Lula, conquistou uma modalidade de inserção social menos vulnerável aos abalos econômicos, seja nacional ou internacional, ou mesmo: de interrupção de efetivos esforços em prol dessa juventude em políticas de governo e políticas públicas.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) registrou no primeiro semestre de 2010, em dados sobre a situação social dos jovens, entre 15 e 29 anos, nos países do Mercosul: uma redução da chamada “Inclusão Desfavorável: pobreza transitória” em que o Brasil aparece na segunda posição perdendo apenas para o Uruguai, entre os países que menos expõe seus jovens à situação de vulnerabilidade econômico-social.
Fonte: elaborado a partir de dados do PNUD.ponto-e-vírgula 11 57
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Tais números devem ser lidos complementarmente as demais estruturas sociais, como saúde, trabalho, renda e educação. E nessa última, temos alguns claros sinais de que a desaceleração da economia brasileira, como poder ser vista nos últimos meses do primeiro semestre de 2010, com seus consequentes cortes em orçamento para o próximo governo, elevação das taxas de juros pela Comissão de Política Monetária(Copom) com vistas à supressão de consumo, finanças e créditos: podese tonar indutora de uma possível crise nos quadros de formação de nível superior.
Segundo dados publicados no jornal O Estado de S.Paulo, de 18/5/2010, tem havido um crescimento no número de evasão de faculdades privadas, no estado de São Paulo, proporcionalmente nos últimos semestres e mais acentuadamente nos últimos meses do governo Lula. Concomitantemente, e neste período, temos ainda no PNUD, um registro sobre a realidade dos estudantes de nível superior, onde lemos que: “Enquanto ao ciclo de terceiro grau, a maior porcentagem de jovensque conseguem completar, se verifica na Argentina. Mesmo assim, sóum em cada oito jovens de 25 a 29 anos completa o ciclo terciário. No Paraguai, apenas um em cada onze conseguem se formar”.
Certamente, o desenvolvimento econômico que o mundo assistiu durante a última década, tem precipitado e demonstrado que há logo à vista, uma supressão de setores da economia que fomentem investimentos para o desenvolvimento de crescimento real, para dar lugar a dois grandesvícios político-econométricos: ou a liberalização de fluxos capitais financeiros que não se ligam, ao sistema financeiro internacional, comconsequências nefastas ao surgimento de uma “rapinagem” internacional por dinheiro em curto prazo: ou o recrudescimento nacional em optar pelo controle do Estado em relação aos seus gastos e orçamentos, dando xenofobia ao desenvolvimento posto em marcha.
O cerco às despesas dos Estados, com rígidos cortes nos orçamentos, em funcionalismo público – alvo de precisas austeridades – concomitantemente às demais despesas que se liguem socialmente ao desenvolvimento fortemente nacionalista: tem sido recorrente, sobretudo nos paíseseuropeus, que passaram a acumular graves problemas financeiros.
Vemos paulatinamente, partidos de direita e os governos dessa formação, crescer pelo mundo, bem como pode ser visto no Chile; em Honduras; Colômbia; na ascensão do governo Conservador da Inglaterra;na fortificação político-estratégica de Israel; na contenção, corte e
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sanções fiscais aplicados à economia da Grécia e dos demais países daUnião Europeia.
O Brasil, em meio a esse cenário, é convidado, em relatório da Comissão Econômica Para América Latina (CEPAL), a voltar-se para os Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), em ritmo ascensional, da casa dos 10%; como forma, meio e caminho de devolver, ou “redesenvolver” asperdas ocorridas na crise financeira de 2008 e seguir qualificando ipso facto a promoção do capital investidor no Brasil.
O Brasil constituiu/formou uma nova classe média que ainda busca manter-se dentre essa linha tênue de índices sociais tanto mais favoráveis. O crescimento econômico dos anos 50 até os anos 80; a crise e a década perdida nos anos 80; a estabilização dos anos 90 e o desenvolvimento equilibrado com maior distribuição de renda nos anos 2000: é um momento novo para o país que pode seguir acumulando desenvolvimento e aprimorando capital humano gerado, gestado e conseguido com esteacesso econômico-financeiro da última década.
Terminando a lista de dados, segundo o Ministro da Educação Fernando Haddad, no governo Lula, mais de quatro milhões de jovens estão na educação de nível superior no Brasil, entretanto, apenas 11% entre a idade de 18 a 24 anos são plenamente atendidos/regularmente matriculados. Com o lançamento do Programa Nacional de Universidade Para Todos (ProUni) o governo Lula buscou elevar essa taxa para 30% até 2011 em instituições privadas. Incluindo jovens que estariam sendo atendidos no ensino privado. Para tanto, esse programa de incentivo e fomento de educação para os jovens brasileiros teria o compromisso deatendê-los financeiramente, tendo vista a sua permanência e formaçãoneste nível superior; e, que já contabilizaria cerca de 750 mil estudantescontemplados por tal financiamento desde a sua criação (Ministério daEducação).
Há no cômputo geral desses dados alguns indicadores importantes sobre a formação de uma juventude que, dentre alguns anos, estarão diante do compromisso educacional de uma nova realidade não apenas econômico-social, mas socioeducacional.
Bem como a teoria da bicicleta, conhecida nos fóruns sobre desenvolvimento, que consiste em não interromper a marcha contínua sob o risco de cair: os esforços precisam e devem manter-se em constante ritmo. Não poderíamos incorrer em uma precipitação com de desníveisou mesmo de crises no quadro de profissionais, empreendedores, e as
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demais formações necessárias para a educação do país. É esperada a devida manutenção de crescimento em médio e longo prazo. É preciso salientar que o compromisso dos governos com políticas públicas no Brasil, na educação, não somente é produto de uma concatenação de objetivos de desenvolvimento em diversos setores da economia do país, mas de todo modo, indispensável a uma agenda que vise um crescimentoem IDH que dignifique os brasileiros pelo trabalho e educação e não peloassistencialismo e caridade de Estado.
Academicamente, as universidades possuem o instrumento tanto mais preciso no auxílio da formação desses jovens de classes A à D que transitam em seus corredores em prol e busca de discussões, foros e debates públicos no fomento de propostas que possam auxiliar mobilizar e viabilizar o “pronto-atendimento” educacional. Certamente, as universidades possuem o privilégio de ter autonomia não só em relação às políticas públicas educacionais implantadas pelos governos, mas também o privilégio de estar em uma zona mais autônoma dos comprometimentos políticos dos governos vigentes, o que possibilita maistrânsito nos desafios reais da educação superior no Brasil.
Nesse sentido, sugerimos alguns apontamentos que complementariamente aos esforços do governo Lula, bem poderiam ser somatizados e discutidos junto à comunidade acadêmica, em duas frentes que cercam o jovem brasileiro universitário, a saber: o trabalho, a educação e mobilização política:
•em especial, o jovem que se encontra no ensino superior privado,nos grandes centros urbanos, de origem social, tem em comum: uma representação sindical, representações de classe, bem como sindicatosespecíficos das categorias e ambientes de trabalho que se mostram,invariavelmente em prol e ao benefício conveniado de planos particulares de saúde, educação de entretenimento e lazer. Complementariamente poderiam ser fomentados o atendimento e estímulos das necessidades de ensino através da ampliação dos debates que vise inserir tais jovenspermanentemente como profissionais de pesquisas juntos às Universidadese assistidos por instituições de Ciência e Tecnologia ainda em ambiente de graduação e/ou tecnologia ainda em ambiente sindical. A organização estudantil em posicionamentos e direcionamentos mais precisos na e da realidade em que estão inseridas é um real instrumento, por melhores e mais factíveis transformações de educação e trabalho;
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•as Organizações Não-Governamentais (ONGs) têm premente emsuas estruturas de ensino, a benesse de estarem mais próximas das classes sociais, cobrindo todo território nacional e com acesso maisabrangente aos financiamentos estatais e de governos. Nesse sentido asONGs poderiam ser mobilizadas para o ensino superior, sendo preparadas para o ambiente universitário de largo alcance. Comparativamente, cursos regulares de graduação e assim de ensino superior poderiam ser ofertados pelo Ministério da Educação em ONGs; o que por sua vez, pode expor compatibilidades, visto que as despesas e o ônus do ensino superior ainda a cargo desses jovens de classes baixas podemser melhor distribuídos por toda a estrutura fiscal que já existe nessasONGs desonerando paulatinamente o Estado brasileiro e os jovens doscompromissos financeiros neste importante processo de formação.
Referências bibliográficas
FREUD, S. (1996). Obras Completas de Sigmund Freud: edição standard brasileira; como comentários e notas de James Strachey; em colaboração com Anna Freud; assistido por Alix Stracey e Alan Tyson; traduzido do alemão e do inglês sob a direção geral de Jayme Salomão. Rio de Janeiro, Imago.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (2012). Disponível em: www.mec.gov.br – http:// prouniportal.mec.gov.br/images/arquivos/pdf/artigo_program_prouni.pdf
PNUD (2012). Inovar para Incluir: Jovens e desenvolvimento. Inovar para incluir: jovens e desenvolvimento humano. Disponível em: http://www.pnud.org.br/ pobreza_desigualdade/reportagens/index.php?id01=3371&lay=pde

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