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A introdução do Plano Real no FMI

A introdução do Plano Real no FMI.
            
Os avanços obtidos pela economia brasileira, após a introdução do Plano Real, evidenciada hoje pelos baixos índices de inflação, reservas internacionais crescentes e aumento do PIB. Ressaltou, no entanto, que, de acordo com o que se comenta no mercado financeiro internacional, se há uma lista de países que poderiam sofrer ataques especulativos contra a sua moeda, o Brasil estaria incluído nela. Solicitou, então, informações sobre as medidas que o país vem tomando para reverter tal fato.
Na mesma linha de argumentação apresentada ao Sub-Secretário do Departamento de Estado, Stuart Eizenstat, durante encontro realizado anteriormente, o Ministro Malan listou as diferenças dos casos tailandês e brasileiro, inclusive no que se refere ao déficit no balanço de pagamentos: Os métodos de financiamento (concentração de recursos de curto prazo X médio e longo prazo), sua magnitude (8 por cento do PIB x 4,3 por cento do PIB) e sua duração (nos últimos 13 anos, a Tailândia apresentou déficits superiores a 6 por cento do PIB).  Diante da insistência de Summers em abordar o tema - ao dizer que no caso mexicano também havia entrada maciça de investimentos de médio e longo prazo e, nem assim, evitou-se a crise -, o Ministro Malan enfatizou as mudanças estruturais pelas quais vem passando a economia brasileira nos últimos anos. Afirmou, que, mesmo após a venda dos ativos do Estado por meio do Programa de Privatizações (cerca de USD 50 bilhões nos próximos três anos), o país terá condições de financiar seu déficit em conta corrente e reverter a atual tendência de crescimento do déficit no balanço de pagamentos. Lembrou que as privatizações têm-se concentrado em setores de infraestrutura, o que, em breve, irá refletir positivamente sobre a produtividade da economia e a competitividade das exportações. Além disso, o governo vem trabalhando na direção de corrigir o elemento doméstico do déficit no BP, a saber, o desequilíbrio entre os níveis de investimento e de poupança interna. Informou que a recuperação
(...?) poupança interna, ora em curso no Brasil, tem 2 componentes: O (aumento?) da poupança privada e a diminuição da despoupança do setor público(?). Neste último caso, enumerou as iniciativas do governo que tem por objetivo o controle do déficit consolidado do setor: O Programa de Privatização, os acordos na área fiscal entre a União, Estados da Federação e as reformas do Estado e da Previdência que tramitam hoje no Congresso Nacional. Ademais, adiantou a que o governo vem preparando uma segunda geração de reformas, que incluirá a flexibilização da legislação trabalhista, a agilização dos processos judiciários e o fortalecimento do sistema financeiro.
6. Em seguida, o Sub-Secretário do Tesouro abordou o tema da integração hemisférica, indagando sobre a posição do MERCOSUL com relação ao tema. O Ministro Malan afirmou que tal processo é inevitável, sobretudo em uma economia mundial cada vez mais globalizada e, ao mesmo tempo, de maior competição por novos mercados. Destacou, porém, que o Brasil o MERCOSUL apenas como um passo para o estabelecimento de tal integração. Reafirmou o interesse dos países membros em fortalecer o mecanismo de integração Sub-Regional. Afirmou, porém, que o Brasil não considera que os dois processos sejam excludentes e incompatíveis. Quanto à questão do suposto desvio de comércio provocado pelo MERCOSUL, levantada por Summers, acrescentou que, apesar de um significativo aumento de seu comércio com os demais países membros do bloco, o Brasil continua apresentando uma composição bem diversificada de seu comércio exterior. Ademais, aumentou também o comércio do bloco como um todo com outras regiões do mundo.
Tal como Eizenstat no dia anterior, Summers referiu-se à visita do Presidente Clinton ao Brasil, e indagou sobre a possibilidade de assinatura de acordo para evitar a bitributação naquela ocasião. O Ministro da Fazenda repetiu sua opinião sobre o tema, salientando que, provavelmente, não haveria (haverá?) tempo suficiente para finalizar as conversações até o próximo mês. Houve, mais uma vez, consenso com relação à possibilidade de, durante a visita, ser anunciada, pelo menos, a intenção dos dois países em celebrar o acordo. Finalmente, ao levantar o tema da recomposição dos recursos concessionais no âmbito do Banco Interamericano, o Subsecretário do Tesouro defendeu a proposta dos EUA, e solicitou o apoio do Brasil nas negociações que serão realizadas em breve. O Secretário Assistente Para Assuntos Internacionais, David Lipton, ressaltou a posição norte-americana a favor de que os recursos em moeda local do FOE sejam destinados, exclusivamente, para os países prestatários de menor poder econômico relativo. A esse respeito, o Conselheiro Jaguaribe lembrou que dentre todas as propostas apresentadas para a recomposição dos recursos concessionais do BID, somente a do GRULAC define claramente os custos que deverão assumir cada país membro. Nesse sentido, ressaltou que não há proposta sem custos, e que, no caso daquela apresentada pelos EUA, grande parte do Ônus recairia sobre os países prestatários. Lembrou que a maior parte das reservas locais em moeda local encontra-se em reais. Enfim, houve concordância sobre o fato de que Brasil, Argentina, Estados Unidos e México poderão resolver a questão em conversações conjuntas a serem realizadas em breve. 
 


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